Menor safra de atum gerou quebras nas capturas e receitas em 2023

Pelo segundo ano consecutivo o número pescado capturado na Região Autónoma dos Açores diminuiu. No ano de 2023, em comparação com 2022, foram capturadas menos 700 toneladas e registados menos de um milhão de euros.

Na Região Autónoma dos Açores houve, pelo segundo ano consecutivo, uma redução no número de pescado capturado.

Em 2023 foram capturadas menos 700 toneladas, o que provocou uma redução na riqueza gerada de menos um milhão de euros, segundo estatísticas divulgadas pelo Serviço Regional de Estatísticas dos Açores (SREA).

O total de pescado capturado em 2023 foi de 9.424 toneladas, o que equivale a um decréscimo de 7% em relação às 10.137 toneladas capturadas no período homólogo.

Já em relação ao valor total de vendas gerado, foram registados, em 2023, cerca de 39,3 milhões de euros (ME), o que representa uma redução de aproximadamente 2,7%, em comparação com os 40,4 ME gerados em vendas no período homólogo.

Ou seja, tal como em 2022, o total de pescado capturado na Região voltou a reduzir. Em comparação com 2021, foram capturadas menos 1600 toneladas de pescado em 2022. Porém, nesse ano não foi registado um decréscimo no valor de vendas. Aliás, foram totalizados mais cerca de 3,7 ME em vendas, apesar de uma redução significativa na captura de pescado.

Em declarações ao Açoriano Oriental, o vice-presidente da Federação de Pescas dos Açores, Jorge Gonçalves, explica que “as capturas do atum têm uma influência muito grande naquilo que é o valor descarregado em peso, que se reflete também em nível de valor monetário. O ano passado tivemos uma quebra significativa na captura do atum e isso reverte-se”, na redução quer do total capturado quer no valor total gerado.

No que toca às principais variações, por ilha, na quantidade de pesca descarregada, Santa Maria, São Jorge e Terceira foram as ilhas que registaram maiores descidas em 2023.

Santa Maria passou de 1859 toneladas de pescado capturado para 1267, uma diminuição de quase 600 toneladas.

Em São Jorge foram descarregadas 295 toneladas de pescado em 2022, um decréscimo de 188 toneladas, face às 483 capturadas em 2022.

Já na ilha Terceira, em 2023, foram descarregadas 811 toneladas de pescado, uma redução de 124 toneladas, em comparação com as 935 descarregadas, no período homólogo.

Em contraste, na Graciosa foram descarregadas 241 toneladas de pescado, o que representa um aumento de 102 toneladas, face às 139 capturadas em 2022.

De igual modo, foi também nesta ilha que foi registado o maior aumento no valor total das vendas geradas. Na Graciosa, em 2023, as vendas com o pescado capturado totalizaram 2,36 ME, o que significa um aumento de aproximadamente 700 mil euros, em relação aos 1,57 ME gerados em 2022.

Para o vice-presidente da Federação das Pescas dos Açores, estes aumentos na Graciosa devem-se à aposta na captura de espécies que “estão muito valorizadas”, como é o caso do goraz, as lulas e aos imperadores.

Por outro lado, as ilhas de Santa Maria e São Miguel foram as que tiveram a maior quebra de vendas.

Santa Maria registou cerca de 3,63 ME de vendas em 2022, passando depois, no ano seguinte, para 2,88 ME, o que resultou num decréscimo de 750 mil euros.

Também foi verificada uma quebra de vendas na ilha de São Miguel, a que maior peso tem nos Açores, pois representa quase metade da riqueza total gerada na captura de pescas.

Nesta ilha, em 2023, foram registados 18,21 ME em vendas, o que representa uma diminuição de 930 mil euros, face aos 19,28 ME registados, no período homólogo.

Em relação a Santa Maria, Jorge Gonçalves admite que a situação é semelhante à geral nos Açores, e que “tem a ver com o atum que é descarregado ali naquele porto e o preço. Se temos menos captura temos menos valor monetário”, aponta.

Questionado se é possível inverter esta tendência na redução do pescado capturado e aumentar as receitas na Região, o vice-presidente da Federação das Pescas dos Açores, afirma que está a trabalhar com as associações federadas com esse intuito, e espera que haja “melhor gestão de algumas espécies, para se puder obter mais rendimento”.

Além disso, para o ano de 2024, Jorge Gonçalves diz que a “perspetiva e a esperança é de facto que a situação melhore”, “não só, em relação ao atum, mas a todas a outras espécies”.

Porém, sustenta que, em relação ao atum “vamos tentar fazer uma gestão semelhante aquilo que aconteceu o ano passado, sabendo que a quota é pequena e que possivelmente ela vai esgotar rapidamente”, refere, acrescentando que no que toca aos demersais, há “planos de gestão muito significativos aplicados na região que têm dado bons frutos e esperemos que continuem a dar”.

Atuns representam mais de metade do pescado total capturado nos Açores

A captura de atuns representa mais de metade do total de pescado capturado nos Açores, totalizando 5525 das 9424 toneladas de pescado capturado.

De acordo com dados do Serviço Regional de Estatísticas dos Açores (SREA), a pesca de atum foi equivalente a 58,6% do total das capturas, em 2023.

Contudo, nesse ano, em relação com o período homólogo, foi registado uma redução de 368 toneladas de atum.

Já no ano de 2022 foram capturadas 10.137 toneladas de pescado na Região, sendo que 5893 destas foram atuns. O que significa que nesse ano o atum representou 58,1% do total das capturas.

Ou seja, apesar do decréscimo das capturas de atum em 2023, a proporção destas capturas, em termos percentuais, em comparação com o total de pescado, é maior relativamente aoperíodo homólogo.

Fonte: Açoriano Oriental (24/01/2024)