Formação de curta duração vai permitir ter mão de obra qualificada no Turismo já na próxima época alta

Nos últimos dez anos, a formação profissional “foi esquecida” e a economia pós-pandemia “começou a recuperar, felizmente, de forma mais rápida e forte do que esperávamos”. O que significa que há um “desequilíbrio” entre a procura e a oferta de mão-de-obra, principalmente a qualificada. Neste sentido, o Governo Regional tem vindo a colmatar estas “dificuldades do dia-a-dia”, mas sem esquecer a questão a longo prazo, com cursos de curta duração – de 10 meses – nomeadamente na Escola de Formação Turística e Hoteleira “para que na próxima época alta possamos já ter algumas pessoas qualificadas” nomeadamente na área do turismo.

A indicação foi deixada, ontem, pelo Secretário Regional da Juventude, Qualificação Profissional e Emprego, Duarte Freitas, que reconheceu o momento que se vive na Região “em que ainda temos enormes faltas de qualificação”, onde existe um desfasamento entre as necessidades de mão-de-obra qualificada e as necessidades do mercado.

Além da Escola de Formação Turística e Hoteleira, também o ensino dual – através do Centro de Qualificação dos Açores – e o programa FORM.Açores estão a desenvolver cursos de iniciação básica de competências para empregados e desempregados, de curta duração, em várias ilhas para ir ao encontro as reais necessidades do mercado.

“Estamos num momento em que ainda temos enormes faltas de qualificação. Nos últimos anos a formação profissional foi um pouco esquecida e não conseguimos recuperar de um momento para o outro, mas queremos iniciar essa recuperação, tal como estamos a fazer”, referiu o governante.

Duarte Freitas adiantou que as escolas de formação profissional dos Açores estão em contacto com os vários sectores de actividade para saber as suas reais necessidades, embora sem que haja em concreto números de quantos açorianos são necessários para cada actividade. “Em algumas ilhas sabemos mais em concreto as necessidades, mas em termos globais esse estudo não está feito para se saber quantas pessoas são necessárias para cada sector. Mas vamos ter de o fazer”, referiu. O governante explicou que o programa FORM.Açores consiste em cursos de curta duração “feitos à medida”, definidos depois de as empresas apresentarem as suas necessidades e as entidades formadoras adaptarem a formação.

Aos jornalistas, num pequeno-almoço para apresentar o Fórum Regional da Qualificação Profissional, Duarte Freitas reforçou que nos últimos 10 anos “houve um decréscimo de cerca de 45% na formação profissional nos Açores” – socorrendo-se nos números do quadro comunitário de apoio que agora termina que aponta que cerca de 33 mil pessoas passaram pela formação profissional, contra as 58 mil que o fizeram no quadro comunitário anterior. Portanto, “Não é num ano que vamos resolver o défice de 10 anos. Mas, ao detectarmos o problema, lançámos esta visão prospectiva a 10 anos – para pensar a médio-longo prazo – e tentámos reagir também com acções de curto prazo que pudessem mitigar este desequilíbrio”.

Responsabilidade social das empresas

Mas apesar das necessidades, as empresas estão preparadas para pagar mais pela mão-de-obra com formação? “A responsabilidade social dos empregadores e empresários é fundamental. Não se pode dizer que há falta de mão-de-obra com formação, e depois não querer pagar-lhes o que deve ser pago. É fundamental”, referiu o governante.

Reforçando um apelo às empresas para “a necessidade de recompensar as pessoas pela sua participação na criação de riqueza”, Duarte Freitas apontou também medidas concretas que este Governo Regional criou para que isso fosse possível. “O programa Contratar dá apoios muito musculados para a contratação, especialmente para os contratos sem termo, que podem chegar a 25 mil euros por posto de trabalho, mas não em função do salário mínimo, mas do salário contratado”, explicou.

Ou seja, “não podemos apelar à percepção para a formação profissional, para que a façam, sem deixar de apelar à responsabilidade social dos empregadores e, por outro lado, sem deixar de ter medidas concretas e efectivas que melhorem a vida dos trabalhadores”.

Com o programa Contratar já mais de mil pessoas foram contratadas com vencimentos 10% superiores em relação às antigas medidas de apoio à contratação existentes, salientou ainda Duarte Freitas.

Fórum Regional da Qualificação Profissional pretende ser a base para os próximos dez anos

O Secretário Regional da Juventude, Qualificação Profissional e Emprego apresentou ontem o Fórum Regional da Qualificação profissional, que vai decorrer no Pavilhão do Mar em Ponta Delgada, de 18 a 20 de Novembro.

Trata-se de um evento, já apresentado em Abril, e que pretende ser o culminar de toda a reflexão que tem sido feita desde essa altura até agora. “É um contributo imprescindível para a definição de uma qualificação profissional em nome do futuro dos Açores”, explicou Duarte Freitas que considerou tratar-se de uma iniciativa “de enorme envolvência, que demonstra o empenho do Governo em dar respostas concretas aos desafios do futuro”.

Isto porque a visão do Governo de coligação para a formação profissional perspectiva-se a 10 anos, pois “entendemos que na definição de políticas públicas, temos de fazer um esforço para olhar para no médio-longo prazo”.

É neste sentido que Duarte Freitas esclarece que este Fórum Regional da Qualificação Profissional Valorizar os Açorianos – Horizonte 2030, pretende produzir “as bases de um novo paradigma de desenvolvimento, baseado na tecnologia, no conhecimento, na formação, na participação, mas acima de tudo, na educação e formação”.

No final deste Fórum Regional da Qualificação Profissional, irá ser produzido um livro branco – “Valorizar os açorianos, Horizonte 2030” que será apresentado em Janeiro de 2022. O objectivo é “apontar as grandes linhas de orientação das políticas de qualificação para um futuro a 10 anos”. Um documento que acontece nesta altura porque, os momentos pandémicos “devem servir para parar e pensar o futuro” e porque “vamos iniciar um novo quadro comunitário de programação financeira. Porque para este governo sendo a educação e formação fundamentais, temos de a pensar de forma estrutural”.

Para este Fórum Regional da Qualificação Profissional estão previstos 37 oradores e moderadores, distribuídos por 10 painéis, contando já com 200 inscrições até ao momento.

Presentes estarão os directores das 17 escolas profissionais da Região, formandos, formadores, técnicos da área da formação profissional, entidades formadoras certificadas, empresas privadas e diversas instituições, contando também com o Comissário Europeu para o Emprego e os Direitos Sociais, Nicolas Schmit. O evento é presencial mas poderá ser seguido em director nas páginas das redes sociais da Secretaria Regional da Juventude, Qualificação Profissional e Emprego e na página criada para o evento.

Assim, no dia 18, após a sessão de abertura do Fórum Regional da Qualificação Profissional – que vai contar com Nicolas Schmit e Duarte Freitas – segue-se o painel que vai debater a “governação integrada: a coordenação das políticas de qualificação na perspectiva do território”.

Segue-se o painel sobre “transições para o mercado de trabalho: tendências para a década” e um outro com uma conversa sobre “boas práticas na formação inicial no ensino profissional: divulgar, valorizar, replicar”.

No dia 19, a abertura é com o painel “qualificação e mercado de trabalho: intersecções e desencontros e políticas de responsabilidade social”, seguindo-se uma nova conversa sobre “formação ao longo da vida nos Açores: como promover os casos de sucesso?”. No painel seguinte será abordado o tema “valorização social da formação/qualificação: que caminhos trilhar?” e termina com a conversa sobre “barreiras à implementação de uma agenda para a qualificação nos Açores: quais são e como preveni-las”.

No último dia é tempo de reflectir sobre “qualificação no século XXI em espaços ultraperiféricos”, seguindo-se a “qualificação dos Açores: uma visão de futuro” e terminando com a apresentação da “agenda para a qualificação profissional: Açores 2030: Ecos de um processo participado”.

Fonte: Correio dos Açores