Câmaras do comércio dos Açores consideram "boa solução" reinício de candidaturas

As câmaras do comércio dos Açores consideraram, esta quinta-feira, ter sido "uma boa decisão" e "uma opção acertada" o reinício das candidaturas às Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, revelou, na quarta-feira, que as candidaturas das empresas açorianas a 117 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência PRR vão começar do zero, com a garantia de que não se perde um cêntimo.

Em declarações aos jornalistas à margem do plenário da Assembleia Legislativa Regional, José Manuel Bolieiro indicou que, para acabar com as suspeições sobre o Governo dos Açores e sobre as empresas da região que se candidataram às Agendas Mobilizadoras lançadas pela República em julho, os consórcios vão deixar cair as propostas, tendo em vista o reinício do processo, com a garantia, do ministro do Planeamento, de que a região “não perde nem um cêntimo” daquele financiamento.

Contactado pela Agência Lusa, o presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, afirmou que, "considerando o ruído que se desenvolveu à volta das candidaturas", a associação empresarial das ilhas de São Miguel e Santa Maria "concorda que esta seria uma boa solução", no sentido de reiniciar o processo.

"Não havia condições para tranquilamente continuar o processo", sustentou Mário Fortuna, sublinhando que não se podia ter "um ambiente de suspeição e de dúvida relativamente ao que havia sido feito".

Da parte das empresas, que se juntaram nos consórcios, "não houve dificuldade em compreenderem a situação", afirmou, acrescentando: "E, perceberam todos que o melhor era mesmo parar essa candidatura, porque as empresas são entidades dignas. São entidades que prezam o seu bom nome e, por isso mesmo, não acharam mal que se parasse o processo".

Para a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo, na Terceira, a decisão do Governo Regional, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, foi "acertada”, tendo em conta “todo o ruído que estava gerado em torno" das Agendas Mobilizadoras do PRR.

"O processo era um processo que tinha nascido mal, tal como nós em devido tempo alertamos. E, quando as coisas nascem mal, tarda ou nunca se endireitam", sustentou à Lusa o presidente da Câmara do Comércio de Angra, Marcos Couto, assinalando que "foram garantidos todos os pressupostos" que permitiram reiniciar o processo, nomeadamente "a garantia de que os Açores não iriam perder verba que estava afeta".

O dirigente referiu também que este "é um processo que nunca deveria ter tido a interferência, da forma que teve, direta das câmaras do comércio".

"Se os empresários entenderem que a Câmara do Comércio deve fazer parte desta equação ela fará, mas esta é uma iniciativa que deve caber essencialmente às empresas", defendeu Marcos Couto.

Também o presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta (Faial), Davide Marcos, frisou que as candidaturas às Agendas Mobilizadoras do PRR "foi um processo mal conduzido", pelo que a decisão agora anunciada "foi uma boa solução".

"Acho que não havia outra hipótese para dar alguma credibilidade ao processo, já que isto nasceu mal", disse o presidente da Câmara do Comércio da Horta, referindo que a associação espera que "não haja mais nenhuma situação" em relação ao processo das Agendas Mobilizadoras e que as candidaturas abrangem o universo de "todas as empresas e de todos os setores".

Da mesma forma, o presidente da Câmara do Comércio da ilha de São Jorge, Mário Veiros, considerou que foi “a decisão mais acertada, porque o processo estava a nascer torto”.

“A curiosidade agora é sabermos todos em que moldes o processo será montado, porque é fundamental que desta feita todos tenhamos as mesmas possibilidades de nos candidatarmos aos fundos disponíveis”, disse.

Mário Veiros, em declarações à Lusa, referiu que a Câmara do Comércio de São Jorge "está já a trabalhar para provocar candidaturas entre os empresários", com vista a "criar consórcios na ilha e não só", justificando que "há necessidade de projetos ao nível do Triângulo (São Jorge, Pico e Faial)"

"Além disso, consideramos também que há oportunidades para que as ilhas de Santa Maria, Pico, Graciosa, Flores e Corvo nos acompanhem em consórcios que nos permitem candidaturas a estes fundos", acrescentou.

Fonte: Lusa/AO Online