PRESS: Balanço Reunião CCAH e NELAG com as Indústrias do Leite

No passado dia 3 de setembro de 2021, decorreu um encontro promovido pela Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo e pelo Núcleo de Empresários da Lagoa, que juntou à mesma mesa vários empresários da indústria do leite dos Açores.

A reunião realizou-se no concelho da Lagoa, no NONAGON - Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, e contou com a presença de António Simões – Administrador da ILAÇOR, Eduardo Vasconcelos – Portugal SSD Senior Director da BEL Portugal, Helga Barcelos – Administradora do Grupo Barcelos, Jorge Costa Leite - Presidente da Insulac, Oscar Criado-del-Rey – Managing Director da PROLACTO e Pedro Tavares - Presidente da LactAçores.

Tendo em conta a atual situação que se vive neste setor, entendeu a CCAH e o NELAG como oportuno e fundamental promover uma reunião em que fossem ouvidas as preocupações e revindicações da indústria de lacticínios, com o objetivo de se encontrarem soluções e estratégias para o futuro. Este setor assume especial relevância na economia da Região, sendo, em 2020, o que maior volume de negócios fez com o exterior da Região, mais precisamente 284 milhões de euros, dos quais 196 milhões por empresas representadas na reunião, estas empregando 1070 trabalhadores e responsáveis pela recolha de mais de 510 M de litros de leite nos Açores.

Nessa reunião foi apresentado um diagnóstico atual do setor, tendo sido debatidos diversos assuntos como as estratégias de diversificação e criação de produtos com valor acrescentado; a necessidade da elaboração de contas satélite da fileira do leite, assim como o contributo que as Associações Empresariais podem dar na defesa pública dos temas nucleares das indústrias do setor.

Os industriais presentes debateram as vantagens e oportunidades de negócio existentes, como sejam a aposta na qualidade dos produtos, e não na quantidade, através da criação de produtos de valor acrescentado, além da oportunidade de recorrer a mecanismos do Plano de Recuperação e Resiliência para reforçar o setor, assim como os fatores pouco competitivos e constrangimentos que atravessa, como sejam os elevados custos de contexto, de transporte, e logística na exportação para fora de Portugal.

Os industriais deram destaque à razão da divergência, desde 2014, do preço do leite pago nos Açores para a média da União Europeia, que reside na manutenção das mesmas políticas públicas, como se não tivesse havido um fator disruptivo como o fim das quotas leiteiras. Consideram que o acento tónico tem de ser colocado nos sólidos e não no litro do leite, como consta de uma proposta de tabela da valorização do produto recolhido e que ainda não teve a devida resposta pelos restantes intervenientes no sistema. Corrigido pela matéria gorda e proteína e a incorporação dos custos de transporte, o diferencial do preço pago à produção, num modelo californiano que deve ser repensado, quer para o continente, quer para a Europa, é muito menor do que o propalado.

Em todo o caso, foi discutida a necessidade, por um lado, de acordar com a distribuição um novo modelo de visibilidade, promoção e sustentabilidade dos produtos lácteos açorianos e, por outro, o esforço na redução do peso dos fatores de produção, como forma de atenuar, ou ultrapassar, a atual situação a curto prazo.

Como conclusões do encontro e desafios para o futuro, os representantes da indústria presentes destacaram a necessidade de se trabalhar na sustentabilidade, na redefinição da estratégia, na diminuição da pegada carbónica e na valorização da Indústria em toda a fileira do leite. Todos os intervenientes consideraram fundamental a realização de iniciativas deste tipo com mais regularidade, de forma a criar uma linha estratégica para o desenvolvimento das indústrias do setor.