Ponto de situação das empresas do turismo e perspetivas para a retoma da atividade

A Comissão da Promoção e Dinamização do Turismo e a Direção da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo reuniram-se, na passada quarta-feira, 17 de junho, com o objetivo de analisar o ponto de situação das empresas do setor e perspetivas para a retoma da atividade. Em relação à atividade atual o balanço é, naturalmente, muito negativo. Após dois meses com faturação nula, parte das empresas do setor, designadamente agências de viagens, restaurantes, alguns hotéis e empresas de animação turística, poucas retomaram os serviços em maio e junho, mas com um volume de vendas muito baixo e quebras consideráveis na faturação muito próximas dos 100%. Apesar do anúncio da campanha Viver Açores, que pode contribuir para um desagravamento da situação, este será muito ligeiro, e longe de ser suficiente para evitar quebras abruptas na época alta do setor, com impactos negativos catastróficos na economia e no emprego na Região. Estatisticamente, a Região ultrapassou, em 2019, as 3 milhões de dormidas no total das unidades de alojamento locais, com mais de 970 mil hóspedes, 47% dos quais nacionais. O valor que a Região estima despender na campanha representa pouco mais de 1% do total de hóspedes acolhidos em 2019. Nesse sentido, a Comissão da Promoção e Dinamização do Turismo e a Direção da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo teceram as seguintes considerações, que no seu entender são fundamentais, neste momento, para a sustentabilidade do setor:
- A informação acerca dos procedimentos existentes para controlo da propagação do novo coronavírus na Região Autónoma dos Açores, tem que ser mais coesa e abrangente, uma vez que não está a chegar corretamente ao exterior da Região, nomeadamente tendo em conta que o procedimento é alterado com regularidade. É importante transmitir confiança aos mercados e operadores uma vez que a Região sempre se posicionou como um destino seguro devido à baixa taxa de casos que existiram.
- Para os passageiros que desembarquem na Região com o teste de despiste ao vírus SARS-CoV-2 com resultado negativo, sugere-se que a Região Autónoma dos Açores ofereça uma percentagem do valor pago pelo teste efetuado pelo passageiro em vouchers, que possam ser usados em serviços e produtos de empresas locais, durante a estada do passageiro na Região. Desta forma, promove-se a boa prática de o passageiro trazer o teste à chegada à Região, criando um incentivo acrescido de escolher os Açores para a sua viagem de lazer ou trabalho.
- Tendo em conta que Região Autónoma dos Açores já não regista casos positivos ativos há alguns dias, e implementou todas as medidas de segurança necessárias, que permite aos açorianos voltarem à normalidade possível, é essencial, para a retoma das empresas locais, que o recurso ao teletrabalho seja, neste fase, uma exceção e não a regra, devendo todos os serviços de Administração Regional funcionar normalmente.
- Sugere-se que a Manutenção e Vigilância do Património Ambiental, como sejam os trilhos pedestres e outras infraestruturas, passem a ser efetuadas por empresas de animação turística e guias turísticos, prática já efetuada em outros países da Europa. Os profissionais locais do setor têm o “Know-How” e a sensibilidade essencial a essa tarefa, conhecendo o terreno a intervir e as suas necessidades. Desta forma, possibilita-se que as empresas de animação turística e guias tenham algum rendimento e possam começar a recuperar depois de, pelo menos, 3 meses sem qualquer faturação e perspetivas pouco animadoras para este verão. Esta medida já tinha sido proposta várias vezes para combate à sazonalidade do sector, e ganha de novo pertinência como modo de re-estruturar e estreitar a relação entre as empresas de animação turística e os serviços de ambiente e de conservação do património natural das ilhas.