Turismo açoriano prepara promoção com aposta na segurança sanitária e ambiente

Com uma época alta inédita à porta, condicionada pela pandemia, o setor turístico nos Açores mantém as expectativas baixas, mas prepara uma estratégia de promoção regional, nacional e internacional, apostando no ambiente e na segurança sanitária.

A Associação de Turismo dos Açores (ATA) está atualmente a preparar o documento que traça a estratégia de promoção para o verão e para o futuro próximo pós-Covid-19, disse à Lusa o seu presidente, Carlos Morais.

O plano irá ser apresentado ao Governo dos Açores e, posteriormente, aprovado pela direção, abordando, numa primeira fase, “até que ponto o mercado regional poderá corresponder, no verão, à procura” turística.

A ATA é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, que resulta de uma parceria entre os setores público e privado, e visa a promoção da região e a qualificação da oferta, por forma a “contribuir para o desenvolvimento turístico sustentado” do arquipélago.

No atual contexto, propõe-se a unir esforços com a transportadora regional SATA, as unidades hoteleiras e a ANA – Aeroportos de Portugal para trabalhar o mercado regional “o máximo possível”, embora haja “muitas pessoas que tiveram já de realizar as suas férias” e outras que “viram os seus rendimentos reduzidos”.

Apesar de as “expectativas serem baixas”, Carlos Morais afirma que “há que preparar o futuro”, com base num documento que “posicione os Açores na sua matriz ambiental” e na oferta de saúde, algo que as pessoas “vão passar a valorizar ainda mais”.

O segundo vetor da estratégia aponta a necessidade de apostar no mercado nacional, que “reage bem nestas circunstâncias", mas que "vai ser muito fustigado” com campanhas de outros destinos.

Numa terceira fase, pretende-se voltar a cativar os mercados internacionais, “sem esquecer que países como Espanha, Itália, França, Estados Unidos e Canadá passam também por uma má situação, devido à Covid-19”.

“Não queremos deixar de nos prepararmos já para o futuro, criando a apetência da vinda de turistas para os Açores o mais breve possível”, declara Carlos Morais.

A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores considera que “só o impacto direto no turismo vai implicar uma quebra de 10% no Produto Interno Bruto (PIB) dos Açores”, ou seja, cerca de 400 milhões de euros.

O economista Mário Fortuna, vogal da direção, admite que “é possível que haja” mais atividade do que a atual, por via do turismo nacional, mas assume que “não é possível salvar a época alta como se conhece” até hoje.

As “expectativas são reservadas”, com uma época alta “como nunca se viu”, refere, lembrando que “não haverá aviões a voar tão cedo, de forma livre”, o que significa que não se poderá transportar turistas para a região da forma mais acessível.

Na prática, acrescenta, o turismo interno “vai estar sujeito aos mesmos condicionalismos” do que o externo, algo que só poderá ser ultrapassado se o Governo Regional “libertar mais as condições de circulação nos aviões da SATA para promover o turismo da ilha de São Miguel para as outras ilhas”.

“Com a situação que se vive, neste momento, em São Miguel [de cercas sanitárias nos seis concelhos], questiona-se quando se estará à vontade para que a circulação se faça de forma razoavelmente livre. Fica, naturalmente, o turismo entre as ilhas mais pequenas, o que reduz a menos de metade o potencial de turismo interno”, afirma.

Mário Fortuna defende que, apesar da sua “dimensão diminuta”, este mercado deve ser trabalhado como "câmara de ensaio para a reabertura ao mercado nacional e internacional”, com a região a preparar-se para uma “nova realidade” muito focada na segurança sanitária dos estabelecimentos.

O Governo dos Açores tem presente as “implicações grandes” que as questões de segurança sanitária vão ter nas opções de férias a curto prazo: em declarações à Lusa, a secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, considera que “devem ser precisamente valorizadas de forma especial”.

A par dessa preocupação, há que apostar nas “premissas essenciais para uma retoma bem sucedida”, como o ambiente.

A titular da pasta do Turismo anunciou, entretanto, que está a ser elaborado um manual de boas práticas sobre a Covid-19 para o turismo, um setor importante na atividade económica nos Açores.

O documento está a ser preparado em parceria com a Secretaria Regional da Saúde e será apresentado para discussão às entidades representativas do setor.

Para Marta Guerreiro, importa “garantir toda a segurança necessária e desejada para umas férias verdadeiramente tranquilas e relaxantes”, não só para os futuros visitantes, mas também para todas as pessoas que trabalham nesta área.


Fonte: Lusa/AO Online