“Vejo com enorme preocupação os próximos tempos”

Quem chega a Angra do Heroísmo depara-se com uma cidade quase deserta. Poucas ou nenhumas pessoas nas ruas, cafés e restaurantes fechados, apenas as farmácias e supermercados estão abertos, mas com limite de pessoas. Significa isso que os angrenses estão a cumprir as recomendações por causa do novo coronavírus.

Álamo Meneses, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, diz que nos primeiros dias do desencadeamento desta situação “houve um aumento de pessoas nos estabelecimentos comerciais, mas depois tudo serenou, nesta altura o movimento é muito reduzido”.

Se há cerca de duas semanas ainda chegavam pessoas por via aérea à Terceira, agora são muito poucas. O autarca refere que “no início foi mais complexo gerir essas chegadas, havia mais pessoas a chegar à ilha, mas nesta altura o movimento é pouco e, quem cá chegar, vai para isolamento obrigatório. Penso que a situação está bem gerida”.
Com entradas e saídas controladas, com a população a manter-se em casa como o recomendado, a preocupação de Álamo Meneses é o futuro.

“O que está a acontecer agora não é apenas a doença, são todas as consequências económicas e sociais que vão resultar dessa situação e vejo com enorme preocupação os próximos tempos”, disse para acrescentar que “a nossa cidade vive do pequeno comércio, dos cafés, dos restaurantes e tudo está fechado. A maior parte dos empresários desses estabelecimentos estão sem rendimentos e isso é uma preocupação. Olho com imensa preocupação para a situação de muitas famílias deste concelho e desta ilha que ficaram, de um momento para o outro, sem qualquer fonte de rendimento”.

Os empresários da restauração tiveram que se adaptar e alguns estabelecimentos lançaram-se no take away e nas entregas ao domicílio. A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo também vai apoiando: por exemplo, em parceria com as juntas de freguesia do concelho, foi criada uma rede que permite a entrega domiciliária de alimentos e outros bens essenciais a pessoas com mais de 65 anos de idade que vivam isoladas ou a famílias que sejam colocadas em regime de quarentena.

Segundo Álamo Meneses, “o nosso retorno ao normal terá que ser muito cuidadoso e vigiado, exatamente para não sairmos de um surto e entrarmos em outro”.
Por isso, do ponto de vista das festas que foram canceladas, o autarca afirma que as mesmas “são muito importante para o nosso concelho e marcam as nossas vidas. Contudo, haverá tempo para festejar no futuro. Penso que nesse momento a nossa preocupação vai para os nossos comportamentos”, salientou, apelando a que as pessoas fiquem em casa “o mais possível”.


Fonte: AO Online