Inadmissível o que se tem passado com o Turismo na Terceira

Ponto final nos “jogos políticos, nas promessas não cumpridas”, nas “brincadeiras com o presente e o futuro da Região, em especial da Ilha Terceira”. A Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH), exigiu esta tarde, em conferência de imprensa no Salão Nobre da Associação Empresarial, “respeito pelos empresários, pelos terceirenses” e considerou “inadmissível” o que se tem passado no setor do Turismo.

Segundo o Presidente da CCAH, “a economia vive da realidade, e o que os terceirenses querem saber é com o que podemos contar, em que moldes, e a partir de quando”, referindo-se, em particular ao setor do turismo e à “total ausência de estratégia para o Turismo na Ilha Terceira, e Grupo Central”.

Após um enquadramento sobre o impacto da liberalização sobre o espaço aéreo na Região, e os alertas lançados desde logo pela CCAH sobre os reencaminhamentos aéreos, mas também os desinvestimentos na promoção da Ilha, na captação de voos diretos e escassez de lugares no Verão, Sandro Paim colocou diversas questões aos “partidos do arco da governação, local e nacional”, os quais, considera, “quiseram arrecadar votos com o anúncio da entrada das low cost na Terceira”, pelo que “nenhum está isento de responsabilidades”.

Sobre a captação de fluxos para a Ilha Terceira, o líder da Associação Empresarial das Ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa pretende saber “o que está a ser feito pelos partidos para que o anúncio das low cost, efetuado em Julho, se possa tornar realidade” e “quando começam os anunciados voos charters de Boston e Madrid, bem como o “porquê da escolha destes mercados emissores, nomeadamente Espanha e não Alemanha, Reino Unido ou Holanda, mercados já consolidados nos Açores na época baixa”. Questionou, ainda, “para quando o reforço da operação SATA Internacional e SATA AIR Açores previsto no PREIT, e se este reforço garante que a Terceira não vai sentir o estrangulamento sentido este ano”.

Sobre o aeroporto das lajes perguntou “em que ponto está a certificação do aeroporto, de quem é a responsabilidade de ainda não estar concluído” e se “esta certificação condiciona a vinda das low cost para a Terceira, outras companhias aéreas ou escalas técnicas para a Terceira”. Lembrou, também, as “promessas da construção do terminal de carga” anunciado há vários anos, e um “verdadeiro Pacote de Incentivos de Atração de Escalas Técnicas no aeroporto das Lajes”.  

Em relação a uma estratégia de desenvolvimento turístico na Região, Sandro Paim questionou em que ponto se encontra o desenvolvimento do Plano de Animação Turística para a Ilha Terceira e se o “problema será desenvolver mais um Plano?” Será que, indagou, o “Plano Estratégico para o Turismo nos Açores, cuja apresentação estava anunciada para abril, não é suficiente e não inclui a Terceira?”. Quanto aos apoios à promoção de eventos na Região Autónoma dos Açores, interrogou “de que forma é que são decididos e distribuídos” e “se não deveria haver mais paridade na distribuição dos apoios”.

No caso concreto da Graciosa, lançou a questão acerca do “reforço de lugares na SATA que permita a captação de grupos de turistas para esta Ilha” e do inicio das “ligações marítimas de passageiros, todo o ano, para o triângulo, São Jorge, terceira e Graciosa”, Quanto ao reforço anunciado para o Secretário Regional do Turismo e Transportes para o “Programa Meus Açores, Meus Amores”, a questão é será para desenvolver este ano, ou só em 2016, já que, sendo apenas para o próximo ano, “como pretendem colmatar as enormes quebras dos fluxos turísticos em 2015 na Ilha Graciosa?”.

No fundo, disse Sandro Paim, “repetimos a pergunta que vimos fazendo frequentemente e para a qual nunca obtivemos resposta: para quando uma estratégia integrada no Turismo, que envolva todas as Ilhas dos Açores de forma una, menos dependente do mercado nacional e capaz de mitigar o efeito de sazonalidade no setor?”.

Na conferência de imprensa, que contou com a presença de mais de quatro dezenas de empresários do setor do Turismo, o Presidente da CCAH realçou que as “respostas a estas questões são fundamentais para o setor privado decidir os seus investimentos, planear devidamente a sua atividade, manter o emprego de forma sustentável e constante”.