Gases de efeito estufa aumentaram mais de 60% desde 1990

São os transportes e a lavoura as atividades com maior peso no total das emissões de gases de efeito estufa nos Açores.

Por isso, dióxido de carbono e metano são os gases de efeito estufa mais significativos nas emissões registadas na Região.

As emissões de gases de efeito estufa na Região Autónoma dos Açores atingiram em 2016 as 1,76 megatoneladas de CO2 equivalente, valores que estão 63,7% acima dos registados em 1990.

Os dados são do Inventário Regional de Emissões por Fontes e Remoção por Sumidouros de Poluentes Atmosféricos 2018, uma das peças estruturantes do Plano Regional de Alterações Climáticas que ainda está em apreciação no parlamento açoriano, apesar de aprovado em junho de 2018 pelo governo regional.

O documento que habilita a Região a melhor compreender a sua realidade em termos de emissões de gases de efeito de estufa, incluindo a identificação de quais os gases mais significativos e os setores onde estes têm origem, conclui que foram os setores da energia (com os transportes como maior contribuinte para as emissões) e da atividade agrícola (com a pecuária em destaque) os maiores responsáveis pelas emissões para atmosfera destes gases relacionados com o aquecimento global.

Como explica o diretor regional do Ambiente, Hernâni Jorge, a energia foi responsável por mais de 51,7% das nossas emissões, a agricultura por cerca de 41%, e os resíduos 7,2%.

“O principal setor responsável pelas emissões de dióxido de carbono é, pois, o setor da energia, com os transportes à cabeça. Os outros gases são essencialmente consequência da atividade agrícola e da gestão dos resíduos”, adianta.

O diretor regional constata que, em comparação com 1990, “há um aumento significativo das emissões”, salientando que foram determinantes para esse aumento os setores da energia e da agricultura.

Segundo o Inventário Regional de Emissões, nesse período de tempo, enquanto o peso do setor energético (consumo de energia) se manteve “razoavelmente estável”, com pouco mais de 50% das emissões, o setor da agricultura cresceu (79% desde 1990), aumentando em consequência o seu peso no total de emissões de gases de efeito estufa.

“Temos um aumento do metano em consequência também do aumento da atividade agrícola, em concreto, da pecuária”, admite Hernâni Jorge.

Note-se que é o setor da energia o principal responsável pelas emissões de CO2 (dióxido de carbono), enquanto que os setores agricultura e resíduos são responsáveis pela quase totalidade das emissões de metano e de óxido nitroso.

De acordo com o documento, o dióxido de carbono (51,7%) é o gás mais presente no conjunto das emissões, o segundo gás é o metano com cerca de 37% e o óxido nitroso aparece em terceiro lugar com 11,5%.

Note-se que estes gases são considerados prejudiciais porque são capazes de absorver radiação e redistribuir esse calor pelo planeta, num efeito chamado efeito estufa.

Fazendo a comparação com os totais nacionais (62,2 megatoneladas de CO2 equivalente), verifica-se que a Região representa 1,6% das emissões totais nacionais (2,6% se excluirmos o setor uso de solo e florestas).

De salientar que na Região o setor Uso de Solo e Florestas foi responsável por um sequestro líquido de cerca de 0,75 Mt CO2 equivalente, o que coloca as emissões líquidas da Região em 1,01 Mt CO2 equivalente.

Comparativamente como o todo nacional, o perfil de emissões é, no entanto, “bastante distinto”, com uma predominância na Região muito mais marcada do setor agricultura e uma quase ausência do setor processos industriais e uso de produtos.

Por isso, o peso de metano na Região também “é substancialmente superior ao total nacional”, adianta o Inventário Regional de Emissões por Fontes e Remoção por Sumidouros de Poluentes Atmosféricos 2018.


Fonte: Açoriano Oriental